quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fãs ou Discipulos?

“Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! (1 Coríntios 9:16).’

Não há como falar de fãs, sem haver o conceito de Fanatismo. Jesus formou um clube de fãs ou formou um reino de discípulos?

O tema é delicado, mas vale a pena conferir, ler e meditar um pouco. Boa leitura!
A palavra fã deriva de fanático, de fanatismo. Mas, o que é um fanatismo? A palavra fanático veio do latim: “fanaticus” significando pessoa que se julga inspirada por uma divindade. A palavra foi adotada por outros idiomas, como o francês, “fanatique”, para definir quem se apaixona cegamente por uma idéia, um partido, uma opinião, ou que se dedica ao extremo a algo ou alguém.

De um modo geral, o fanático tem uma visão-de-mundo maniqueísta, (duelo entre o bem e o mal) cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fanatismo, com adaptação).
Com a multiplicação da ciência e a megavelocidade da comunicação, os fãs se arrastam por esse planeta afora, disseminando cada vez mais novos conceitos e filosofias egoístas sobre seus desejos, impondo-os muitas vezes de uma forma absolutista, utilizando-se das mais variadas ferramentas, nas mais variadas esferas da sociedade.

No mundo gospel, porém, mais recentemente, os fãs têm se mostrado também em novos cenários, como os das denominações evangélicas, bandas e ídolos da música gospel, etc. É um meio de um novo tempo no evangelho. Muitas coisas têm sido sutilmente inseridas, preparando o caminho para o falso profeta e as falsas profecias, podendo enganar até mesmo os próprios escolhidos.

Do ponto de vista popular, num bom sentido, divertido e otimista da vida, ser um fã não é perigoso, é gracioso e até enriquece os relacionamentos entre amigos. O fanatismo, porém, é comparado à idolatria, pois é uma postura cega e amarga que atrofia a visão sobre o infinito amor, grandeza e poder de Deus.

Mas, qual a origem da palavra fã?

A palavra “fã” originou-se do inglês “fan” (abreviatura de ‘fanatic’) e foi criada nos Estados Unidos (onde o povo gosta de abreviar) para definir a pessoa que tem grande admiração por um artista popular do cinema, teatro, música, televisão, rádio, etc. A mídia em geral, sempre inspirou e continua inspirando ainda mais o surgimento de clubes de fãs, sejam para divertimentos, sejam para pulverizar extremismos de suas ideologias culturais, morais ou sociais. O fanático não está preocupado com o universo das coisas, sua preocupação é com a exclusividade de uma coisa a qualquer custo.

Por onde ando, às vezes paro, costumo conversar e ouvir as pessoas, suas necessidades, suas frustrações, seus sonhos, sucessos, etc. Nesses diálogos, entendendo o quanto é frustrante nos dias de relacionamentos virtuais em que pessoas às vezes despejam as suas emoções publicamente ao mundo cibernético, que muitos se frustram por não haver correspondência e admiração (curtição) de ‘amigos’ e um ‘fun’ (abreviação de curtir, em inglês) de ‘seguidores’, etc.

Muitos levam tão a sério esse conceito de fãs em redes sociais, que tomam até decisões radicais a ponto de cortar definitivamente uma amizade antiga que era pura e genuína no mundo real. O verdadeiro padrão de relacionamento ficou tão confuso para alguns, que há pessoas que não toleram mais aquela amizade que não teve tempo de ‘curtir’ a sua página, blog ou posts mais modernos. Alguns inverteram descuidadamente a vida que era real para um mundo virtual…

Quantos fãs você está preocupado em atingir? Será que o seu combustível de vida agora deve ser de elogios? Tipo, “se me elogiarem eu elogio também, mas se não curtirem a minha página virtual, eu corto a relação”. Se isso abate a sua alma, por não alcançar um número imaginário de admiradores, desista! Jesus mandou fazer discípulos e não fãs! Fãs são levados por fortes emoções enquanto discípulos são consolidados pela fé.

“… o amor não busca o seu próprio interesse”… (I Coríntios 13).

Não somos deste mundo. Em nosso reino o que vale mesmo é a admiração de nosso Pai, que nos ouve e atende em secreto. Há um mundo real lá fora onde ainda pode se relacionar de forma substantiva, dialogar e se divertir com amigos, parentes e discípulos na vida real, etc.

Se você é cristão, o que você prefere que o sigam fãs ou discípulos? Jesus não tinha fãs, mas preocupava-se em fazer discípulos, salvar, curar, libertar, ensinar, batizar e se relacionar com os seus de forma real, humilde e espontânea.

É claro que o poder restaurador e operador de milagres também atraia multidões ao redor Dele. O que essas pessoas queriam, não era saber qual o próximo sucesso de Jesus nas paradas, nem onde seria o seu próximo show. Elas buscavam apenas uma coisa: solução para a suas mazelas da alma e do corpo, paz e alegria enfim. Apesar de sua fama (notícia) correr ao redor da Galiléia, Jesus, porém, não se fazia um ídolo deste mundo, mas um anunciador do reino de seu Pai num país chamado céu.

Dependendo da situação, Jesus era discreto, como no caso dos dois cegos em Mateus 9:30-31, ou se manifestava de forma especial a alguns, como foi o caso de Zaqueu, com a finalidade de nos dar uma lição quanto à adoração e quanto à evangelho da salvação. Não somos deste mundo para anunciar o evangelho deste reino. Nossa pátria está no céu, e, como dizia João Batista, é para lá que devemos apontar: para o céu, para Cristo!

Ainda olhando para o ‘mundo gospel’ ao nosso redor agora, vemos muita gente correndo para fazer sucesso no seu empreendimento evangélico, correndo atrás de fãs que ostentem a sua nova visão, conceito ou estilo de vida. Na verdade a bíblia diz que tudo não passa de vaidade. É como construir uma casa na areia, vem o vento e leva tudo! É muito parecido com o mundo:

“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos” (2 Timóteo 3:2).

Tenho certeza de que Jesus, ao anunciar o reino dos céus, não estava revestido de nenhuma das qualidades do versículo acima. Antes, pelo contrário, humilhou-se na forma mais simples para cumprir a missão que o seu PAI lhe havia dado.

O apóstolo Paulo nos ensina:
“Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! (1 Coríntios 9:16).’
Paulo anunciava o evangelho, não para formar clubes de fãs, mas para plantar o reino dos céus. Seus colaboradores, não eram fãs, eram discípulos. Seus auxiliares o ajudavam a implantar igrejas ligadas a Jesus e não a Paulo. Essas igrejas não amavam a Paulo mais que a Jesus, pois essa era a preocupação do apóstolo; apontar para o reino dos céus, para Cristo!

Podemos ser luzes nas trevas, sem sermos ‘estrelas’ em meio à luz! Não precisamos de fã, mas precisamos de fé!
Finalizo afirmando que sou admirador e imitador de muitas personagens bíblicos, principalmente do apóstolo Paulo, como alguns leitores já o sabem. Mas, admiro, estudo e sigo a fé de muitos homens e mulheres de Deus, dos atos dos apóstolos de hoje que estão espalhados pelos mais distintos lugares dessa terra desde os anônimos aos mais conhecidos. Sou fã de vocês viu? (no bom sentido, é claro).

Nenhum comentário:

Postar um comentário